A ideia que parece germinar em cada canto de uma sala de aula é a de que toda atividade que gere um pouco de trabalho seja dispensável à aprendizagem, afinal de contas, o computador tem resolvido tantos reveses, porque não daria conta de mais uma tarefa desgastante?
Atividades de artes, produção de textos, por serem mais complexas, estariam então, entre as matérias mais dispensáveis, afinal de contas, dão um bocado de trabalho. E não basta fazer mecanicamente a tarefa, deve ter uma determinada estética, uma determinada estrutura nem sempre compreendida pelo aluno; e aí o problema é do professor que não o estimulou o suficiente, que não estava plenamente preparado para aquela aula ou que não sabe tornar sua aula mais interessante.
Este tipo de reducionismo do processo de aprendizagem é a própria causa dessa falácia, vista hoje como crença coletiva.
Eu sou professora e como tal, me sinto muitas vezes ignorante, incapacitada para lecionar, principalmente quando estou explicando algum conteúdo e meus alunos insistem em não quererem entender o que falo. Sinto-me lutando contra eles, uma inimiga disposta a ser odiada, mas ao menos ouvida, apenas ouvida, afinal, cabe a eles quererem ou não disponibilizarem seus cérebros a um novo conhecimento, o que muitas vezes, lá no fundo, eu sei que não acontece.
Tenho impressão de que vivemos e já faz algum tempo, num momento de elogio à ignorância. Quando alguém chega a uma roda de um grupo de amigos e fala algo que os outros não conhecem, ou emite uma opinião ainda não veiculada pela televisão é considerado excêntrico ou soberbo. A ideia que prevalece é de massificar pelos programas de TV, pelas diferentes revistas que trazem as mesmas matérias, jornais com opiniões compradas, mas poucos percebem isso. Por quê?
Uma poesia com linguagem simples não trata necessariamente de coisas simples. Um manual de operações de um aparelho eletrônico com uma linguagem muito técnica só pode ser compreendido pelos grupos que o produziram ou por pessoas que dominam determinado dialeto. A ideologia de um discurso seja oral ou escrito não está só no que foi dito, mas na escolha das palavras que o produziram e nas condições em que o constituíram como tal. Assim, comprar como real tudo que vemos na TV ou lemos nos jornais é assinar nosso atestado de ingenuidade. É essa a nossa realidade. Não gostamos de ler.
Há muita propaganda em prol da leitura, alguns projetos até interessantes como “leitura no Metro de SP”, em que podemos pegar um livro emprestado e devolver em alguns dias, após a leitura. E quem lê... o que lê?
Vemos que muitos livros vendidos são de péssima qualidade. Linguagem direta, narrativas com personagens simplificados, mensagens com conselhos evidentes, situações conhecidas e facilmente previsíveis não costumam fazer parte de literaturas que geram no leitor um desafio, uma reflexão mais complexa sobre o tema abordado e por isso dificilmente irá mudar as condições de reflexão de quem o lê.
Como dizer que abricó é uma fruta deliciosa se não conhecemos abricó? Como saber que é uma fruta? Que gosto possui? Em que região costuma ser plantada? Como exigir de alguém que aceite como verdade algo que a sua formação desprezou? Como inserir nas escolas a leitura e fazer dela algo sadio, natural? Como fazer com que a principal arma daqueles que não têm as mesmas oportunidades de estudo de outros... seja utilizada nessa batalha que é o Vestibular das Universidades Públicas? ... que é olhar a sociedade em que vive, conseguir entendê-la e em meio a toda a diversidade buscar seu espaço com dignidade???
...Encontrei a partir de minhas leituras!

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