O tema Cotas tem gerado diversas discussões nos mais variados grupos, por isso, resolvi postar esse texto, resultado de uma aula sobre o gênero Manifesto.
Ele é interessante por trazer uma visão do aluno cotista que não tem vergonha de sua posição. Fato que parece raro na mídia, pois até então, apenas os governistas e partidários das minorias "a favor" tinham opinião formada e eram capazes de argumentar com propriedade o seu posicionamento.
Críticas dependem de argumentos construtivos
Nós sabemos o quanto vocês, queridos burgueses, devem estar felizes após as medidas sancionadas por nossa querida presidente Dilma Rousseff nesta quarta feira, dia vinte e nove de setembro de dois mil e doze beneficiando-nos com cinquenta por cento das vagas em universidades federais, pelo menos é isso o que vocês dizem por aí ...
Imaginamos que vocês estão a nos criticar e principalmente a questionar a nossa vã capacidade. Gostaríamos de deixar claro que vocês, burgueses, "NÃO SÃO MELHORES QUE NINGUÉM", e a exemplo do que o professor norte americano David McCullough repetiu inúmeras vezes durante o seu discurso na formatura a seus alunos, vocês também não são especiais, pois após a formatura todos seguiremos nossos caminhos, nenhum será mais importante que o outro, independentemente das suas conquistas realizadas no ensino médio. As medidas aprovadas não dificultarão o ingresso de vocês nas universidades, APENAS garantirão o direito que nos vem sido tirado há anos, por vocês, é claro.
Estamos cansados de ouvir as justificativas de que não teremos capacidade para acompanharmos as matérias, que prejudicaremos o andamento do curso e se é que o concluiremos. Seria importante, antes de tudo ressaltar que os índices de alunos oriundos de escolas públicas que se formam, comparados com os de alunos do ensino particular nas suas devidas proporções são maiores, estes índices provam então a nossa capacidade. É só pesquisar, verifiquem!
Partindo desta ideia, nós futuros cotistas, afirmamos que a lei então criada nos promoverá a possibilidade de ascensão intelectual e financeira SIM, estas que não foram alcançadas por nossos avós e pais. Cansamos de viver marginalizados devido a nossa condição social. Defendemos também a aprovação de novas medidas que possam vir a melhorar a estruturação do ensino de base, para que no futuro não seja necessário enfrentamos críticas e questionamentos sobre a nossa capacidade.
Só assim iniciaremos um processo revolucionário na educação brasileira, formando cidadãos conscientes, e principalmente, cidadãos que reconheçam os direitos de igualdade, independentemente da sua condição financeira e ou racial.

gosto da forma como você escreve.
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