Redações - textos de alunos



O Futuro é composto do agora


A educação é vista por grande parte da população como o caminho mais significativo para a construção de um país melhor em todos os outros aspectos, como a saúde e a economia. Por ser tão importante, ela é um direito de todos, conforme determinam os artigos 205 a 214 na Constituição Federal. Os brasileiros desprovidos de condições para pagar um ensino particular contam com o investimento do governo nas escolas públicas,
e é nesse momento que surgem alguns dos conflitos presentes no assunto, pois a falta de interesse da grande maioria se funde com a falta de qualidade no ensino.

O problema não está concentrado apenas na falta de qualidade, mas também no
desestímulo do aluno e do profissional. Essa desvalorização da escola não torna a carreira na educação atraente para futuros formandos, e, além disso, não impulsiona os professores a uma maior dedicação em seu trabalho. Salários baixos, péssimas condições e em grande parte uma sala de aula sem vontade de aprender tornam difícil acreditar que esta ainda é a melhor forma de se conseguir progresso.


O Brasil foi apontado pela UNESCO em 2008 como a nação com o maior índice de repetência entre onze países, questão muito preocupante. Aumentar a carga horária pode não ser a solução para melhorar o desempenho dos jovens, pois o mais importante é como esse tempo no âmbito escolar é utilizado. Rever os conceitos da educação brasileira é válido para uma maior capacitação dos alunos, e visto que a escola é essencial, tornar gratificante trabalhar para ela é essencial na mesma medida.

Supondo que estudar não fosse uma atividade obrigatória, se os trabalhadores no ramo contassem com melhores condições e as crianças e jovens que escolhessem dedicar-se aos estudos tivessem seus privilégios para crescer profissionalmente, o empenho para entrar em um colégio e levar o ensino a sério seria muito maior do que é agora.

Texto produzido pela aluna Ana Carolina, 16 anos



Comentário


O texto é muito bom... fica até difícil propor outros caminhos para ela, pois foi muito feliz em suas proposições e argumentos. Linguagem simples e eficaz...

Escrever bem não é esmerar-se com uma linguagem erudita e artificial, é dentro das condições de produção de um texto de uma jovem do 2º Ano do Ensino Médio fazer uma redação equilibrada e de acordo com a proposta e as relações que for capaz de estabelecer com a realidade.

No caso, ela utilizou dados da Unesco, a constituição e outras evidências verificadas no dia a dia de estudante.

Quando o aluno chega a um estágio de equilíbrio entre tema e estética, cabe ao professor só incentivar para que busque, cada vez mais, aprimorar aquilo que já alcançou, levando essa experiência para a vida.


Escolhi Miró para ilustrar esse texto, pois é leve, mas muito consciente de sua proposta enquanto arte.

Abraço

Renata Guimarães



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Melodia


A chuva prateada embaçava a cidade. Através da grande janela em minha sala de trabalho pude ver as finas gotas inundando edifícios monstruosos, fazendo-os virarem indefesas sombras escuras na paisagem. Minha respiração calma pintava o vidro frio de branco, enquanto o relógio mostrava que havia chegado a hora para eu finalmente voltar para casa.
Eu morava sozinho, em um sobrado simples, porém aconchegante. Ficava afastado da cidade e de seus barulhos infernizantes, trazendo um silêncio tranquilizante para quem quisesse experimentá-lo. Pensei em minha poltrona acolhedora ao lado da lareira quente enquanto apertava o botão do elevador desconfortável até o estacionamento, brincava com as várias chaves quase idênticas na minha mão, enquanto o aparelho fazia sua viagem monótona. Ouvi o clique metálico indicando que havia chegado ao local pedido pouco tempo antes.
Entrei no carro com o tamborilar da chuva na calçada me acompanhando, assim que o liguei as batidas rápidas das músicas do Green Day encheram o local, trazidos pelo aparelho de som que eu havia deixado no último volume, abaxei-o até virar um leve murmúrio inocente e comecei a correr pelas ruas encharcadas. As gotas que brilhavam em minha frente me impediam de ver a estrada com clareza, forçando-me a entrar em um ritmo devagar pelo caminho de árvores que levava a minha casa.


O asfalto escondeu-se nas sombras da tempestade, apenas parcialmente iluminados pelo farol amarelado de meu carro. Um raio faiscou no negrume do céu, revelando as entranhas da estrada no meio da mata por um instante rápido. Fascinado pelo acontecido, mal percebi a música sussurrada parando lentamente, como se estivesse morrendo em seu último suspiro, olhei o rádio, estava rodando o disco normalmente. Estranhei o silêncio repentino, porém não dei a importância necessária.
Chegava perto de casa quando ouvi o som de um doce violino no ar, em uma canção solitária e comovente. Tentei enxergar através do vidro alguma casa que eu não tivesse percebido antes, de onde vinha a música, porém não vi nada, apenas o sobrado em que morava destacado naquele cenário deserto.
Estacionei o carro com a melodia ainda em meus ouvidos, pisei na lama que virara a terra fofa em frente à varanda e corri para dentro do local, tentando inutilmente escapar das pequenas lâminas frias que a chuva havia virado. Abri a porta com certa dificuldade, por causa dos dedos tremendo, e, assim que consegui, ultrapassei-a e a fechei com rapidez, tentando me livrar da tempestade. Acendi a luz da sala, tranqüilizado com a visão familiar que ela trazia, subi as escadas com as pernas enrijecidas e fui para meu quarto, o primeiro do corredor, onde troquei as peças finas da roupa de trabalho por um velho moletom, as notas do violino ainda ecoavam pelas minhas lembranças, porém tentei ignorá-las.


Voltei para a sala no primeiro andar, onde liguei a pequena televisão em frente ao surrado sofá de vários anos. Comecei a passear pelos canais superficiais com o controle remoto, sem uma verdadeira vontade de assistir a nada.
Um novo raio iluminou o aposento com sua luz fraca, trazendo a escuridão total para a casa assim que se foi. Não entendi o que haveria acontecido para tudo parar de funcionar, decidi que a força deveria voltar logo e esperei, olhando para a TV que agora emitia um zunido irritante e uma confusão de imagens pretas e brancas em sua tela.
Percebi que a iluminação não voltaria tão cedo e fui para a cozinha aos tropeços, onde tateei procurando a gaveta certa até achar a que tinha uma caixa de fósforos e uma vela branca. Acendi-a e olhei pela janela mais próxima, a tempestade não cederia àquela noite, e o violino continuava a me enlouquecer.
Ouvi um barulho no andar de cima, subi a escada hesitante, em um instante covarde com o que poderia ser, abri a porta do meu quarto e percebi que a janela estava aberta, deixando o vento cortante entrar, e, conseqüentemente, fazendo a cortina branca dançar presa a ela. Fechei o vidro, rindo de minha boba imaginação, quando escutei a cantiga ritmada do violino próxima a mim. Virei-me em direção à porta com o ar fugindo dos pulmões, porém me deparei com a porta aberta convidando ao negrume de outro aposento. Saí do quarto e fechei a porta, seguindo a melodia que viajava através do ar frio à volta até o terceiro quarto do corredor. Vi-me colocando a mão na maçaneta.
Por um instante, pensei na loucura em que eu estava acreditando, o que eu pensava que ia encontrar no quarto? Eu devia estar ficando louco, marquei mentalmente que deveria agendar um médico no dia seguinte. O ruído da porta atrapalhou a canção perfeita do violino, que aumentava enquanto eu ultrapassava a passagem de madeira. Assim que coloquei os pés descalços no chão de pedra, um último relâmpago foi visto no céu, iluminando o quarto em que a cortina se contorcia inocentemente.
Eu começava a me acalmar quando o véu fino foi empurrado para a parede, revelando o que se escondia atrás deste.
A música acompanhava o movimento do violino sobre os dedos dela. Branca como era, sua pele entrava em contraste perfeito com o instrumento negro. Seus cabelos loiros quase brancos voavam á sua volta, enquanto um sorriso transformava seus lábios pálidos.
Estava enfeitiçado pela sua visão, pela sua música, não me sentia mais em comando do meu corpo, apenas a observava hipnotizado por seus olhos vermelhos.
Aos poucos, a música foi diminuindo, e com isso percebi que algo acontecia dentro de mim também, como se eu perdesse uma lufada de ar a cada nota que desaparecia das cordas. Ajoelhei-me, não tendo forças para lutar, enquanto ela me torturava com as últimas notas agudas daquele instrumento infernizante.

Finalmente, ela parou de tocar.
E indo embora junto com a última nota, foi-se o meu ultimo suspiro.


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Comentário

A aluna Thainá, ao escrever, utiliza-se de um mecanismo próprio do simbolismo como a utilização de expressões sinestésicas e a música permeando todo o seu texto.

A construção sonora dá-se logo no início com o barulho da chuva percebida ainda no escritório e é intensificada durante o percurso para casa, onde a personagem passa a ouvir o som de um violino. A música vai penetrando cada vez mais a em todos os elementos da narrativa até chegar ao clímax e desfecho intrigante do texto.

Não há o que corrigir, só desejar boa sorte a essa jovem escritora que pode ter um futuro brilhante no mundo das letras.

Abraço
Renata Guimarães

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Problema Histórico


"E o rico cada vez fica mais rico; e o pobre cada vez fica mais pobre. O motivo todo mundo já conheçe: é que o de cima sobe e o de baixo, desce..." tal refrão musical já esteve no auge do gênero "Axé", cantado pela masa popular a fim de festejo, e escupuladamente como crítica à desigualdade social, um problema que persevera ano após ano no cenário da história brasileira.

Devido ao longo período em que se foi ignorado tal desnível sócio-econômico pelos governantes, os sintomas de um país baseado no modo de produção "plantation" somente se agravaram; fazendo com que, na atualidade onde os indicadores sociais classificam a importância das nações internacionalmente, o governo brasileiro tome medidas instantâneas para amenizar a pobreza nacional, como a criação do Bolsa Família (renda mensal de apoio ao cidadão da classe E) e outros projetos assistencialistas.

Vê-se que diminuiram, sim, o número de pessoas miseráveis, porém não houve aumento considerável na quantidade de homens pertencentes a classe média, ou seja, houve a migração de muito pobres para pobres. Isso mostra que, para a real inversão do atual quadro populacional, deve-se investir em avanços a longo prazo, com por exemplo a educação.

Poderia-se empregar os cofres públicos em melhores escolas, nas quais o ensino fosse verdadeiramente bom e gratuito (como cita-se de direito ao cidadão brasileiro na Constituição Nacional), assim formar-se-ia bons profissionais, verdadeiramente capacitados e que levariam seu país de origem a um salto desenvolvimentalista, alterando-se, de fato, a distribuição monetária federal.

Maria Paula



Comentário


Maria Paula,

Observe que o maior problema do seu texto é a falta de equilíbrio dele.
Temos dois ótimos parágrafos destinados à apresentação do tema - VERIFICAR FONTE DE ALGUMAS INFORMAÇÕES E DATA - e dois de desenvolvimento, ou um de desenvolvimento e um de conclusão - não está claro.

No terceiro parágrafo, você inicia afirmando que os programas assistencialistas surtiram efeito... bom, por mais que esse fato possa ser verificado no dia a dia, é importante que ele seja comprovado com dados estatísticos de algum órgão reconhecido, ou seja resultado de alguma pesquisa de algum especialista na área.

Novas informações ou são de conhecimento geral, ou precisam ser comprovadas, precisam ser ratificadas, validadas, nem que seja por uma matéria do Jornal Nacional - na data tal.


Há ainda outras evidências que não são comprovadas e ao final, dá como solução para o problema - investimento em educação.

No 4º parágrafo, procura desenvolver argumentos que comprovem que a educação pode ser realmente uma solução, mas patina em algumas informações estranhas como por exemplo "distribuição monetária federal"

Em momento algum retoma a idéia da música. Se inicia com uma citação, a ideia que ela traz deve permear todo o seu desenvolvimento e conclusão.

Utilizou-se da ideia de solução de problemas para, junto com o desenvolvimento no 4º parágrafo, concluir... só que a conclusão deve vir num parágrafo à parte.

Inicia o 4º parágrafo com ênclise, sendo que deveria ter usado mesóclise.

Você é esforçada e seu texto possui muitas qualidades, como a variedade de vocabulário e organização das ideias, é claro também que lê a respeito do tema antes de escrever... mas pode melhorar muito, tenho certeza disso!

Boa sorte

Beijosssss