segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Coesão e Coerência


Leitura do texto: “Lutar com palavras: Coesão e Coerência”

Autora: Irandé Antunes



                  É interessante perceber que quando o assunto em pauta é “a Língua”, por mais que se esteja numa situação informal, as pessoas, de uma forma geral, olham para o lado, num gesto como se estivesse perguntando a esse interlocutor tão inconveniente: “Como assim – língua? Do que está falando?”. Claro que esse comportamento refere-se a uma fuga para não falar sobre o assunto.


                   Se essa mesma situação ocorre em uma sala de professores, o olhar de busca é mais especificamente na direção de onde se encontra o professor de língua portuguesa, pois o senso comum acostumou-se a dizer que os problemas da língua cabem aos professores de língua portuguesa resolver, como se só ele falasse português. Indo um pouco além, caso seja necessário, por algum motivo que alguém precise falar sobre a língua, que caiba também aos mesmos, pois seria difícil que outros se atrevessem a tal ato intimidador.

                 Ora, tudo tem origem na linguagem, todo o conhecimento que temos é traduzido pela língua, todos os nossos pensamentos são concretizados verbalmente pela língua, então, como cabe apenas aos professores de língua portuguesa falar sobre a língua?

                A questão é que grande parte das pessoas, ao longo de sua formação, são treinadas para não errar, são acostumadas a ver a língua portuguesa como uma das línguas mais difíceis de aprender. Já tive na escola, quando era mais jovenzinha, professores de várias matérias como: história, física que diziam não ser especialistas na língua portuguesa, “afinal ela possui tantas regras que nem os gramáticos dão conta”, dessa forma, eximiam-se de problemas com os erros de concordância, regência, ortografia que cometiam oralmente e muitas vezes na escrita, na lousa.


               O maior problema que percebo aí não é o fato de eles não saberem a estrutura gramatical da língua, nem a pronúncia correta de várias palavras, mas a forma que perpetuavam a ideia de uma espécie de normatização da ignorância, esse era e imagino que ainda seja o maior problema observado ao longo de minha formação e hoje com colegas de trabalho.

               Na leitura de parte da obra “Lutar com palavras: coesão e coerência”, dividida em 9 capítulos acerca coesão e coerência, com o último capítulo destinado a uma reflexão mais global sobre a importância da língua não só para os estudantes da área, mas como um produto cultural, histórico de sua nação, a linguista Irandé Antunes aponta, logo no início, para um dos motivos pelos quais tem sido tão complicada relação das pessoas com a língua.

              Quando pequenos e durante sua formação, os alunos são treinados para formar frases soltas, descontextualizadas. “A experiência cotidiana da criança como falante de uma língua não é a de formar frases... seria até natural que estranhasse esse tipo de solicitação na escola.”

              O ato de estranhamento por até ocorrer, mas ele acaba incorporando esse tipo de exercício como uma regra escolar, algo que se deve seguir, mesmo que não o compreenda muito bem.

               Em longo prazo, esses exercícios “da não-linguagem” fragmentam e deturpam o modo do estudante ver a língua, acabando por absorver e ratificar a ideia de que ela é algo ininteligível, abstrato.


              Quanto a parte sobre coesão, deter-me-ei apenas um simples resumo do que fora exposto pela autora Irandé Antunes.

              A função da coesão é criar, estabelecer e sinalizar os laços que deixam os vários segmentos do texto ligados, articulados e encadeados. A coesão se constrói na elaboração do texto, conforme ele vai sendo feito e para que tenha sentido, as palavras devem estar interligadas; os períodos, os parágrafos devem estar encadeados. A continuidade semântica expressa-se pelas relações de reiteração, associação e conexão.

             Reiteração refere-se aos processos de repetição por meio de (paráfrases, paralelismo e repetição propriamente dita do mesmo vocábulo);  a substituição realiza-se por meio das (retomadas de pronomes ou por advérbios).


              Associação demanda uma seleção de palavras semanticamente próximas por (antônimos ou por diferentes modos de relações de parte/todo).


             Conexão é um estabelecimento de relações sintático-semânticas entre termos, orações, períodos, parágrafos  e blocos supraparágrafos. A coesão é feita por proposições, conjunções, advérbios e respectivas locuções.

            Já a coerência, de natureza mais complexa, por envolver não só o texto superfície, não só o texto num contexto, mas todos os elementos de produção e na circulação deste, envolvi-me um pouco mais e por isso vou expor sucintamente o que apreendi do capítulo.


            A coerência se constrói pela organização realizada conscientemente para um fim enunciativo. Embora suponha algumas determinações linguísticas, o grau de influência da gramática sobre o texto é mediado pela intenção do enunciador para criar um determinado efeito.

           As escolhas lexicais e o estilo do texto são determinados pelo conhecimento que o emissor tem não só da língua, mas também do interlocutor, do contexto e das condições extralinguísticas que influenciarão o sentido do texto. É por isso que não se pode determinar um modelo de coerência específico, único; cada texto é único, por isso sua organização gramatical e os efeitos que se deseja construir dentro do texto para que ele tenha vida e faça parte do organismo social.




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