quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Poesia em sala de aula




O texto abaixo é parte de uma artigo sobre a trajetória de uma professor que se torna poeta para dar aula sobre poesia visual.


    De Poeta a Professor

Um dos maiores equívocos verificáveis no ensino de poesia é a forma reducionista como a mesma vem sendo tratada, muitas vezes, em sala de aula.
Fala-se em inspiração, escolha de palavras impactantes, rimas, mas a falta de iniciação dessa poética e dos seus verdadeiros significados e técnicas utilizadas causa uma idéia errônea de que toda poesia seja elaborada a partir sempre de um mesmo prisma.
A falta de preparo daquele que se propõe à tarefa de ensiná-la incorre da formação de uma visão reduzida e muitas vezes distorcida sobre poesia, mas o maior problema é que tal abordagem pode tirar do aluno a oportunidade de ter um verdadeiro contato, de poder admirar, gostar, desgostar, emociona-se e refletir sobre as situações que geraram o poema e também como ele se encaixa dentro dessas situações. A falta de uma iniciação significativa tem impedido grande parte das novas gerações de consumir poesia como algo que faça parte da vida, natural e sensível.
Para Pignatari, a poesia “é arte do anti-consumo”, bastante peculiar e contraditória nas artes da palavra. Ao mesmo tempo, estranhamento e admiração. Ao indagarmos o que é aquele estranho e o que é o imprevisto, parece motivar-nos a um confronto de idéias e desse confronto, um movimento. O  simples ato de sairmos da nossa posição acomodada sobre o que acreditamos como certo para si e para o mundo, algo pode ser modificado em nós. E sobre esse aspecto da poesia, Pignatari situa-nos no campo da sensibilidade:

A  poesia  situa-se  no   campo  do  controle  sensível, no  campo  da imprecisão. A questão da poesia é esta: dizer coisas imprecisas de modo preciso. As artes criam modelos para a sensibilidade e para o pensamento analógico. Uma poesia nova, inovadora  e original cria modelos novos para sensibilidade: ajuda a criar uma sensibilidade nova.PIGNATARI – 1981- p.51


A preocupação com a construção de um saber poético – visual deve levar o professor à pesquisa e à elaboração de uma prática educativa, no sentido de desenvolver essa sensibilidade não só para a leitura  de obras, mas também para a produção e reflexão do aluno sobre a arte, sobre sua criação enquanto aprendiz e sobre o mundo em que ele vive.
Para Ana Mae Barbosa (2008), os professores precisam conhecer desde os conceitos fundamentais da linguagem da arte, até os meandros da linguagem artística em que trabalha. Saber sobre sua produção, seus elementos que a constituem, seus códigos, como se dava e como se dá a presença humana, que implica para ela numa “visão multicultural”
“É preciso, ainda, conhecer seu modo específico de percepção e como se estabelece um contato mais sensível.” “Como são construídos os sentidos a partir das leituras, como aprimorar o olhar, o ouvido e o corpo”. BARBOSA p.52.
Dessa forma, a reflexão sobre as atitudes do educador precisa ser sempre revista, as informações reelaboradas, revisitadas em suas teorias, repensadas enquanto matéria viva que se modifica, pois a cada aplicação, os alunos são diferentes, seus repertórios são outros e com isso a prática precisa acompanhar essas mudanças para que o conteúdo estudado seja possível à aprendizagem.

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