A história dos vasos
Os vasos gregos são também
conhecidos não só pelo equilíbrio de sua forma, mas também pela harmonia entre
o desenho, as cores e o espaço utilizado para a ornamentação. Além de servir
para rituais religiosos, esses vasos eram usados para armazenar, entre outras
coisas, água, vinho, azeite e mantimentos. Por isso, a sua forma correspondia à
função a que eram destinados:
- Ânfora –
vasilha em forma de coração, com o gargalo largo ornado com duas asas;
- Hidra – tinha três asas, uma vertical para segurar enquanto corria a água e duas para levantar;
- Cratera – tinha boca muito larga, com o corpo em forma de um sino invertido, servia para misturar água com o vinho (os gregos nunca bebiam vinho puro);
- Kantharo – uma espécie de cálice.
- Hidra – tinha três asas, uma vertical para segurar enquanto corria a água e duas para levantar;
- Cratera – tinha boca muito larga, com o corpo em forma de um sino invertido, servia para misturar água com o vinho (os gregos nunca bebiam vinho puro);
- Kantharo – uma espécie de cálice.
Os gregos do século XII a.C.
tinham uma vaga lembrança da desdita de seus antepassados, mais tarde relatada
com toques de lenda, em poemas épicos como “A Ilíada” e “A Odisseia”,
atribuídos a Homero. Não saberiam precisar o nome daqueles povos vindos do
norte a partir do século XV a.C.; primeiro aqueus, depois os eólios e jônios,
finalmente os dórios que falavam dialetos diferentes e deram o golpe de
misericórdia na agonizante civilização creto-micênica.
A população dispersou-se
pelas ilhas e montanhas. Com o declínio do comercio e da economia, desapareceu
a vida urbana. Ganhando feições rurais, cada agrupamento familiar ou clã tinha
seu chefe responsável pelo cultivo da terra, pelo trabalho coletivo e pela
divisão de produtos. Mas a invasão dórica que começou do século XII a.C. também
atingiu a arte, empobrecendo os artesões e fechando as escolas profissionais.
Os vasos gregos desse
período retomavam uma simplicidade e um primitivismo há muito superados em
Creta e Micenas. Impera nas cerâmicas aquele estilo geométrico onde a função utilitária
de armazenar líquidos e cereais prevalece sobre qualquer intenção artística. É
a cerâmica Dipilon, assim chamada por ter sido encontrada principalmente no
cemitério do mesmo nome, próximo a Atenas. Nos vasos, ânforas, pequenas caixas
e animais de terracota triunfam o geometrismo. Sobre tons alaranjados da
cerâmica, desfilam as mais singulares combinações de figuras geométricas em
negro: retas, curvas, polígonos, meandros, pontos e espirais são parte de uma
profusa decoração.
Sem limites definidos, as
figuras claras e rítmicas se ligam e se integram, obedecendo á faixa horizontal
onde se inserem. Há uma harmonia simples e bela no jogo dos círculos que se
entrelaçam até formarem pequeninos pontos, bem como nas retas paralelas que
compõem os frisos da faixa central, representando, muitas vezes, cenas
cotidianas.
Os vasos Dipilon reproduzem
os cortejos fúnebres: figuras esguias e estilizadas de cavaleiros segurando
frágeis arreios. Os cavalos têm múltiplas patas e os pequenos carros são apenas
indicados por rodas frontais e por uma plataforma que sustenta o condutor. As
árvores e o sol, os animais e os homens são como traços de caligrafia. A
natureza, de tão repetida, transforma-se numa imagem esquematizada. E a
geometria da decoração, em faixas separa acompanhada a própria forma do vaso,
extremamente simples.
Os artistas gregos ainda
procuravam fazer suas figuras com os mais nítidos contornos e incluir tanto
conhecimento sobre o corpo humano quando coubessem na pintura sem violentar a
sua aparência. Ainda eram amantes das linhas firmes e do plano equilibrado.
Ainda não se dispunham todos os relances fortuitos da natureza, tais como as
viam. A velha fórmula, os tipos de formas humanas que se desenvolveram ao longo
dos séculos, continuavam sendo os seus pontos de partida. Só que já não as
consideravam tão sagradas como antes em cada detalhe.
A grande revolução da arte
grega, a descoberta de formas naturais e do esforço, ocorreu numa época que é,
certamente, o mais assombroso período da história humana. É a época em que o
povo das cidades gregas começou a contestar as antigas tradições e lendas sobre
os deuses, e a investigar sem preconceito a natureza das coisas. É o período em
que a ciência, tal como é vista hoje, e a filosofia despertam pela primeira vez
no ocidente.
Édipo e a Esfinge – análise da obra
A imagem traz a personagem Édipo, figura mitológica
conhecida como a escolhida para sofrer todos os males de sua linhagem e a
Esfinge, ela muito representada em pintura de vaso e baixos-relevos, como um
leão alado com uma cabeça de mulher; ou uma mulher com as patas, garras e peitos
de um leão, uma cauda de serpente e asas de águia.
Esse encontro mítico-literário ocorreu na obra trágica de
Sófocles. A personagem Édipo é filho de Laio, rei de Tebas. O monarca, conhece
sua maldição quando sua esposa engravida e este vai ao Oráculo de Delfos saber
sobre o futuro da criança. Ele descobre que sua sina é que seu filho tornar-se
ia seu assassino e desposaria sua própria mãe. Agindo como qualquer ser humano,
tenta escapar da ira dos deuses e após o nascimento de Édipo, Laio manda
matá-lo num lugar distante de Tebas.
Com dó da criança, o algoz a deixa com vida próximo de
Corinto, reino vizinho de Tebas. Édipo sobreviveu e foi salvo por um pastor que
o entregou a Políbio, rei de Corinto.
Édipo foi criado como príncipe e já adulto, descobre a
maldição que lhe fora atribuída. Mais uma vez, para fugir à predestinação, foge
de Corinto sem saber que seus pais verdadeiros o esperavam em Tebas para
cumprirem juntos os seus destinos.
Ainda próximo a Corinto, Édipo encontra um bando de
mercadores e seu amo – Laio – pai de Édipo. Sem saberem de suas verdadeiras
identidades, travam uma luta e Édipo acaba matando seu próprio pai. Seus
seguidores também são mortos, exceto um que consegue fugir muito machucado.
Ainda sem rumo certo, Édipo fica sabendo que a cidade de
Tebas havia caído sob uma maldição e que aquele que livrasse a cidade dessa
maldição, ganharia o trono e fortuna. Assim que chega a Tebas, livra o reino da
Esfinge e seus enigmas e como recompensa: É eleito rei e premiado com a mão da
recém-viúva rainha Jocasta; sua mãe.
Após uma consulta ao oráculo de Delfos, os tebanos são
alertados sobre alguém que provoca a ira dos deuses: o assassino de Laio que
vive na cidade. Édipo decide livrar o reino mais uma vez, descobrindo a
identidade do assassino do antigo rei.
Ele só não esperava que essa maldição caísse sobre ele
próprio, assim descobre a verdade, a tragédia prenunciada se configura com o
suicídio de Jocasta, Édipo cega a si próprio e seus filhos eternamente
amaldiçoados.
Houve, na mitologia antiga muitas e diferentes
representações da esfinge. O mito de Édipo, no entanto, sobretudo depois de
imortalizado pela tragédia Édipo rei, de Sófocles, privilegiou de tal forma uma
delas que as demais caíram no esquecimento. A Esfinge é filha de Tifão e
Équidna, foi enviada por Hera para punir a cidade de Tebas, a qual havia
desrespeitado a deusa do Olimpo.
Criatura monstruosa com corpo de leão, cabeça humana e
azas, na representação mais comum, a esfinge, monstro devorador foi um
importante tema mitológico nas antigas civilizações egípcias e mesopotâmicas.
Na Grécia, literatura e arte se inspiram frequentemente, no mito Édipo e da
Esfinge. Esta, segundo a lenda, aterrorizava os habitantes da cidade de Tebas e
matava os que não conseguiam resolver o enigma por ela proposto: “Que animal caminha com quatro pés pela
manhã, dois ao meio dia e três à tarde, e contrariando a lei geral, é mais
fraco quando tem mais pernas?”
Édipo conseguiu decifrar o enigma, dizendo que era o
homem: Ele engatinha quando bebê, anda
com duas pernas ao longo da vida e precisa de um bastão na velhice. Ao
ouvir a resposta, a Esfinge, derrotada, jogou-se num abismo.
Uma das mais antigas representações da figura motológica
é a Colossal Esfinge de Gizé no Egito, que data do reinado de Quefrén, faraó da
quarta dinastia. A esfinge egípcia tem corpo de leão com as patas dianteiras
estendidas, e cabeça humana, coberta com uma manta funerária (nemes). Supõe-se
que representa o Deus Hórus, guardião de Templos e Túmulos. Os egípcios esculpiram
muitas estátuas da esfinge, cujo rosto lembrava sempre o faraó da época. Algumas
esfinges, no entanto, ostentavam cabeças de carneiros e falcões. As imagens
ficavam na frente dos templos, em ambos os lados da estrada de acesso (dromos),
com função protetora, como no grande templo de Karnak.
Por volta de 1600 a. C. a esfinge feminina alada foi
adotada pela civilização grega. Encontram-se os primeiros exemplos de sua
utilização em objetos cretenses do final do período molnóico e nas sepulturas
de Micenas do fim do período heládico.
A partir de 1200 a.C., as esfinges desapareceram da
cultura grega por certa de 400 anos, mas mantiveram-se na Ásia, com aspecto
semelhante ao que tinha na idade do bronze. No final do século VIII a.C. a
esfinge reapareceu na arte arcaica grega, na qual persistiu até o final do
século VI a.C.. A nova esfinge grega era quase sempre feminina, com grandes
tranças. Seu corpo se estilizou e as azas adotaram a forma curvada, como a
famosa esfinge de Delos. As esfinges converteram-se em motivo frequente para
decoração de vasos e peças de marfim e , no final do período arcaico,
apareceram como ornamento de templos, sempre com função protetora.
No século V a.C, o mito de Édipo e a Esfinge,
representada no alto de uma coluna foi tema comum na decoração. Outras obras do
período clássico mostram Édipo em combate com as Esfinge, expressando assim, fisicamente a disputa
intelectual entre as duas figuras míticas. Nada relatam as lendas, porém sobre
episódio, o que leva a crer que a arte grega tenha tomado o tema da luta do
Homem contra um ser monstruoso de alguma civilização oriental.
A utilização de passagens das obras literárias, embora fosse
uma prática comum, nos revela uma característica da época: a figura remonta uma
passagem em que o homem supera o mito pelo conhecimento e esse era o principal
objetivo dele, o desenvolvimento de sua razão. O início da valorização da razão
(logos) ao lado do elemento mágico enviado pelos deuses.
A ironia está no fato de que, mesmo superando a esfinge
pelo conhecimento, o homem está à mercê das fatalidades do destino, do qual é
incapaz de fugir. O poder que levou Édipo ao trono “o saber”, foi este mesmo
que o levara a ruína.
O herói, ao mesmo tempo que é salvador, também é o
causador dos grandes males do seu povo. Tal imagem, suscita a própria condição
de existência do ser humano e suas responsabilidades diante dos seus atos,
controlados por ele mesmo e não por forças divinas. Este conceito difere o
homem da concepção existente até então, daí sua importância, não só para a
arte, mas para a compreensão de toda a história da humanidade.
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