Que dó
O homem é racional
de virtudes infindáveis e defeitos ainda mais intensos
percebe situações de perigo
em ré age sem riscos
de não ser o que se quer
de ser o que não se quer e já ser.
Muitos acreditam, poucos oram, mas todos pedem a Deus
nada de templo ou resignação, apenas benção
e nesse descontrole de contrapassos
rumo ao paraíso...
Alguns riem para outros tantos chorar
ri quem pode
chora quem assim quer chorar
uns de querer e não poder
outros de ter sem desfrutar .
Há quem peça e não queira
há quem queira e se despeça
há outros que pedem, repedem e se despedem.
pedem que tudo vá às favas
em escaldante sol de manhã nublada.
Alguns, na embriaguês de si
outros na insensatez de mentir
desmentem, mentem, rementem
a maior e mais descarada mentira
em autocontemplação, transfigurar-se
feito palhaço no picadeiro
lá, ele sorri porque todos querem brincar
O homem é racional.
texto escrito dia 27 de março - 2013
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Santos - Ponta da Praia
Um dia de março
Do outro lado de uma ilha, há um povo pequeno
de gente que tem cara de broto de feijão e corpo de marisco
do outro lado, há meninos sentados nas extensas calçadas do mar
e de súbitos mergulhos, aprendem a vida de peixe.
Mar, areia, chuveiro
é coisa do povo de cá
de gente grande
que pensa grande
que constrói prédios, cada vez mais grande!
Do lado de cá, menino de nove anos tem pra lá de dois metros
a melhor escola é um shopping center
o melhor banco tem call Center, bank fone e área vip.
Do lado de lá
Não tem mega escola
Nem gente vip
Nem shopping center
Nem banco, só travessia e mar de sustento.
À noite, gente grande do lado de cá
olhando do lado de lá, do alto do prédio grande
se encanta dos tons de luz improvisada
(piscas em cordões de banderolas)
música simples
num ritmo entoado de gente pequena
com cara de broto de feijão e corpo de marisco
Texto escrito dia 15 de março de 2013
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“Numa foto... é tão bonito ver alguém trilhar sozinho sua vereda
... na vida... é tão triste trilhar sozinho,
por mais que em nossos sonhos só haja espaço
para esse caminho."
... na vida... é tão triste trilhar sozinho,
por mais que em nossos sonhos só haja espaço
para esse caminho."
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A primeira peça que fiz, aos 13 anos foi "O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá" de Jorge Amado, até hoje me lembro da Alegria que era participar de uma Cia de teatro só para jovens e fazer uma montagem de uma história de amor.
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Outros momentos...
Alguma oração
Senhor,
Invento essa oração, uma prece
e rogo que me dispa...
Como vestida em véus
qualquer invólucro
Dispa-me um a um
das lembranças,
as poucas prendas que me restaram
o orgulho, a vergonha, um perdão, as desculpas.
Uma caneta importada, um frasco de perfume caro,
os ingressos de um show que nunca pudemos ir.
Um retrato perdido,
uma matéria de jornal, uma imagem na revista
e tantas possíveis tranqueiras,
dispa-me com ou sem véus.
É fardo em vão que insisto em sustentar,
atentar e tardar meu caminho.
Quero olhar o mar.
Sem choro.
Sem saudades...
e a certeza de ter feito dos antigos sonhos
uma realidade tranqüila a ser vivida.
Quero cultivar novos amigos
E amar ainda mais os que me viram por tantas vezes chorar
Dispa-me.
Permita-me ficar aqui em cada palavra o peso em véu
Que eu não posso mais carregar
Dispa-me.
Escrito em meados de 2010
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Por que o Passado nunca é realmente passado?
Por que insiste em ser presente?
Orgulho?
Falta de estudo?
Faltou uma escola que lhe ensinasse a manter o Passado só pretérito
Falta de sorte, vontade, amor!?
Falta de um bom professor,
alguém de grande charme, interessante, culto e tantos mais?
há de se fazer aprender flexões, verbos, nos pretéritos...
perfeitos, imperfeitos e até aquele achava mais que perfeito
Ah... esses travessos agentes ativos
urge assumirem seus postos no tempo, Passado
um lugar de honra, há de fincarem lá no passado.
O Presente cabe aos presentes
Escrito no início de 2010
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Teu semblante
Não te vejo...
Em sonhos, no mar dos devaneios
... Liberto, te construo.
Amanhece e à luz
a verdade vem dos teus lábios
num sorriso brilhante.
E os olhos teus...
Ah que figura tão bela se faz,
com o despertar de aurora,
tu , a dizer-me... Bom dia!
Cego, a contemplar minha alma, tua alma
mãos dadas vagando em contínuo desencontro.
A inspiração, vejo-a, respiro-a, ela muda, mudo...
Agora és outro ser, recém- chegado,
O sorriso tímido esconde-se nos olhos teus
Que teimam em brilhar
E brilham como mel mar
Brilham como laélia em noite de luar
Brilham! Ah!
Escrito em meados de 1999
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Perdão
Perdão pelo enfado
perdão por esse desgovernado coração
perdoa por desejar
Teus lábios
a carta geográfica do meu ardil paraíso.
Teu olhar, mar, espelho de luz
onde a certeza do naufrágio ainda é serena
Tuas mãos
meu corpo edaz clama em prantos
os delírios que a noite acolhe e a lua inspira
Teu sorriso, perdão
gesto de perfeita beleza
que invade e domina minha alma
encarcerada sem prisão
cega, sem destino e futuro certo
implora aos céus mais uma vez sorrir
A voz
sinfonia que faz dos meus sonhos a real melodia
acalenta a desesperança
fortalece o fio que conduz todos à loucura
Ah Céu, perdão
céu infinito como o amor
que sempre vaga escondido
perto de ti
Perdão
Escrito em 24 de setembro de 1999.
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POESIA VISUAL
Essas poesias Visuais foram produzidas em 2009 como experiência no curso de "Linguagens das Artes" no Maria Antônia - USP
A questão era: Eu queria escrever sobre poesia visual em sala de aula - teoria e prática - sem nunca ter produzido uma poesia visual sequer... fui pesquisar, estudar muito e desse estudo surgiu o artigo "De Professor a poeta, de Poeta a Professor"




