“Como um lugar de encontros, esse espaço destina-se à divulgação de pequenos retratos em que vida se revela única."
quarta-feira, 27 de março de 2013
sexta-feira, 15 de março de 2013
Cotas - por Jéssica Lopes
O tema Cotas tem gerado diversas discussões nos mais variados grupos, por isso, resolvi postar esse texto, resultado de uma aula sobre o gênero Manifesto.
Ele é interessante por trazer uma visão do aluno cotista que não tem vergonha de sua posição. Fato que parece raro na mídia, pois até então, apenas os governistas e partidários das minorias "a favor" tinham opinião formada e eram capazes de argumentar com propriedade o seu posicionamento.
Críticas dependem de argumentos construtivos
Nós sabemos o quanto vocês, queridos burgueses, devem estar felizes após as medidas sancionadas por nossa querida presidente Dilma Rousseff nesta quarta feira, dia vinte e nove de setembro de dois mil e doze beneficiando-nos com cinquenta por cento das vagas em universidades federais, pelo menos é isso o que vocês dizem por aí ...
Imaginamos que vocês estão a nos criticar e principalmente a questionar a nossa vã capacidade. Gostaríamos de deixar claro que vocês, burgueses, "NÃO SÃO MELHORES QUE NINGUÉM", e a exemplo do que o professor norte americano David McCullough repetiu inúmeras vezes durante o seu discurso na formatura a seus alunos, vocês também não são especiais, pois após a formatura todos seguiremos nossos caminhos, nenhum será mais importante que o outro, independentemente das suas conquistas realizadas no ensino médio. As medidas aprovadas não dificultarão o ingresso de vocês nas universidades, APENAS garantirão o direito que nos vem sido tirado há anos, por vocês, é claro.
Estamos cansados de ouvir as justificativas de que não teremos capacidade para acompanharmos as matérias, que prejudicaremos o andamento do curso e se é que o concluiremos. Seria importante, antes de tudo ressaltar que os índices de alunos oriundos de escolas públicas que se formam, comparados com os de alunos do ensino particular nas suas devidas proporções são maiores, estes índices provam então a nossa capacidade. É só pesquisar, verifiquem!
Partindo desta ideia, nós futuros cotistas, afirmamos que a lei então criada nos promoverá a possibilidade de ascensão intelectual e financeira SIM, estas que não foram alcançadas por nossos avós e pais. Cansamos de viver marginalizados devido a nossa condição social. Defendemos também a aprovação de novas medidas que possam vir a melhorar a estruturação do ensino de base, para que no futuro não seja necessário enfrentamos críticas e questionamentos sobre a nossa capacidade.
Só assim iniciaremos um processo revolucionário na educação brasileira, formando cidadãos conscientes, e principalmente, cidadãos que reconheçam os direitos de igualdade, independentemente da sua condição financeira e ou racial.
sexta-feira, 15 de julho de 2011
Leitura, de professor para professor
A ideia que parece germinar em cada canto de uma sala de aula é a de que toda atividade que gere um pouco de trabalho seja dispensável à aprendizagem, afinal de contas, o computador tem resolvido tantos reveses, porque não daria conta de mais uma tarefa desgastante?
Atividades de artes, produção de textos, por serem mais complexas, estariam então, entre as matérias mais dispensáveis, afinal de contas, dão um bocado de trabalho. E não basta fazer mecanicamente a tarefa, deve ter uma determinada estética, uma determinada estrutura nem sempre compreendida pelo aluno; e aí o problema é do professor que não o estimulou o suficiente, que não estava plenamente preparado para aquela aula ou que não sabe tornar sua aula mais interessante.
Este tipo de reducionismo do processo de aprendizagem é a própria causa dessa falácia, vista hoje como crença coletiva.
Eu sou professora e como tal, me sinto muitas vezes ignorante, incapacitada para lecionar, principalmente quando estou explicando algum conteúdo e meus alunos insistem em não quererem entender o que falo. Sinto-me lutando contra eles, uma inimiga disposta a ser odiada, mas ao menos ouvida, apenas ouvida, afinal, cabe a eles quererem ou não disponibilizarem seus cérebros a um novo conhecimento, o que muitas vezes, lá no fundo, eu sei que não acontece.
Tenho impressão de que vivemos e já faz algum tempo, num momento de elogio à ignorância. Quando alguém chega a uma roda de um grupo de amigos e fala algo que os outros não conhecem, ou emite uma opinião ainda não veiculada pela televisão é considerado excêntrico ou soberbo. A ideia que prevalece é de massificar pelos programas de TV, pelas diferentes revistas que trazem as mesmas matérias, jornais com opiniões compradas, mas poucos percebem isso. Por quê?
Uma poesia com linguagem simples não trata necessariamente de coisas simples. Um manual de operações de um aparelho eletrônico com uma linguagem muito técnica só pode ser compreendido pelos grupos que o produziram ou por pessoas que dominam determinado dialeto. A ideologia de um discurso seja oral ou escrito não está só no que foi dito, mas na escolha das palavras que o produziram e nas condições em que o constituíram como tal. Assim, comprar como real tudo que vemos na TV ou lemos nos jornais é assinar nosso atestado de ingenuidade. É essa a nossa realidade. Não gostamos de ler.
Há muita propaganda em prol da leitura, alguns projetos até interessantes como “leitura no Metro de SP”, em que podemos pegar um livro emprestado e devolver em alguns dias, após a leitura. E quem lê... o que lê?
Vemos que muitos livros vendidos são de péssima qualidade. Linguagem direta, narrativas com personagens simplificados, mensagens com conselhos evidentes, situações conhecidas e facilmente previsíveis não costumam fazer parte de literaturas que geram no leitor um desafio, uma reflexão mais complexa sobre o tema abordado e por isso dificilmente irá mudar as condições de reflexão de quem o lê.
Como dizer que abricó é uma fruta deliciosa se não conhecemos abricó? Como saber que é uma fruta? Que gosto possui? Em que região costuma ser plantada? Como exigir de alguém que aceite como verdade algo que a sua formação desprezou? Como inserir nas escolas a leitura e fazer dela algo sadio, natural? Como fazer com que a principal arma daqueles que não têm as mesmas oportunidades de estudo de outros... seja utilizada nessa batalha que é o Vestibular das Universidades Públicas? ... que é olhar a sociedade em que vive, conseguir entendê-la e em meio a toda a diversidade buscar seu espaço com dignidade???
...Encontrei a partir de minhas leituras!
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